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terça-feira, 6 de outubro de 2026

A Mentira


 

Certo dia a Mentira e a Verdade se encontraram.
A Mentira disse para a Verdade: “Bom dia, dona Verdade.”
E a Verdade foi conferir se realmente era um bom dia.
Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e, vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a Mentira: “Bom dia, dona Mentira.”
“Está muito calor hoje”, disse a Mentira. E a Verdade, vendo que a Mentira falava a verdade, relaxou.
A Mentira então convidou a Verdade para se banhar no rio. Despiu-se, pulou na água e disse: “Venha, dona Verdade, a água está ótima.”
E, assim que a Verdade, sem duvidar da Mentira, tirou suas vestes e mergulhou... a Mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da Verdade e foi embora.
A Verdade, por sua vez, recusou-se a vestir-se com as roupas da Mentira e, por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar. E, aos olhos de outras pessoas, era mais fácil aceitar a Mentira vestida de Verdade, do que a Verdade nua e crua.
 
(Parábola judaica)

quarta-feira, 11 de março de 2026

A parábola dos porcos-espinhos


 

O dilema do porco-espinho

“Em um dia gelado de inverno, diversos porcos-espinhos se amontoaram muito próximos para evitar que congelassem, graças ao calor mútuo. Eles logo sentiram a dor causada pelos espinhos dos demais, o que fez com que eles se separassem novamente. Mas a necessidade de calor voltou a uni-los e o recuo dos porcos-espinhos se repetiu, de forma que eles ficaram presos entre dois males, até descobrirem a distância adequada na qual poderiam se tolerar melhor, uns aos outros.”

Schopenhauer

(Parece um conto infantil, mas ele resume a complexa natureza das relações humanas.)

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O joio e o trigo


 

“O reino dos céus – disse o Cristo – é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto os servos dormiam, veio um inimigo dele, semeou joio no meio do trigo e retirou-se. Quando a erva cresceu e deu fruto, então apareceu também o joio”.
 
Esta é uma parábola evangélica muito citada por todos. “Separar o joio do trigo” é usado em todo tipo de situação, sempre destacando a separação de uns e outros por qualidades e virtudes nem sempre cristãs.
O patrão quer o funcionário que traga mais lucro, o técnico de futebol quer o jogador que traga mais vitórias, o publicitário quer o rosto padrão de beleza. Políticos a usam para destacar seus programas de governo e o combate à corrupção. Todos afirmam que vão separar o joio do trigo. E, assim, a interpretação da mensagem de Jesus é mal aproveitada.
Em nosso íntimo, a ação de separar o joio do trigo ainda remonta às relações tribais em que vivemos no passado longínquo, onde tribos se julgavam superiores e as demais eram escória. Se você pertencesse à tribo dominante seria trigo e receberia as bênçãos maiores. Se pertencesse à tribo inimiga, seria joio e deveria ser atirado ao fogo.
Sabemos que este pensamento é a negação absoluta do amor fraternal ensinado e exemplificado pelo Mestre Jesus. Esta parábola não pode, portanto, ensinar a separação dos homens, quer sejam as justificativas usadas para tal.
Começa Jesus dizendo: “O Reino dos Céus é semelhante...”. Aquele que entende o Reino dos Céus não como uma localização geográfica ou espacial e, sim, como um estado elevado do Espírito alcançado no decorrer de sua existência, percebe que a boa semente foi depositada em si mesmo.
São os recursos providos pela Providência Divina que nos chegam desde o instante de nossa criação. Em momento nenhum em nossa existência milenar, desde nossa forma mais elementar de princípio inteligente até o homo sapiens contemporâneo, não nos faltou auxílio e orientação do Alto.
É a semeadura constante de ensinamentos e amparo, orientações e sustentação minuto a minuto.
O trigo da parábola é o fruto que representa nossas ações em favor do progresso moral individual e coletivo.
O joio representa o fruto insosso e prejudicial das nossas ações em favor do egoísmo e do orgulho, na constante disputa com os irmãos de jornada.
Desta maneira, a ceifa e a separação não são de homens diferentes na cor da pele, na religião, nas habilidades, no entendimento da vida.
Trata-se da separação de pensamentos e sentimentos, que frutificam em nosso campo interior, em nossa mente.
Das dezenas de ideias, fraternas ou não, que transpassam nossa consciência diariamente. É aí, na nossa mente que, após a ceifa, surgirá o Reino dos Céus tão procurado.
Estejamos atentos, pois em qualquer “cochilo” moral o joio cria raízes dentro de nós. Como diz Jesus: “… enquanto dormiam, o inimigo semeou o joio.”
 
Por Roberto Cidade
Do site https://ceapmogi.com.br

quinta-feira, 24 de julho de 2025

A parábola dos talentos - Rubem Alves


 

A parábola dos talentos

Havia um homem muito rico, possuidor de vastas propriedades, que era apaixonado por jardins. Os jardins ocupavam o seu pensamento o tempo todo e ele repetia sem cessar: O mundo inteiro ainda deverá transformar-se num jardim. O mundo inteiro deverá ser belo, perfumado e pacífico. O mundo inteiro ainda se transformará num lugar de felicidade.

As suas terras eram uma sucessão sem fim de jardins, jardins japoneses, ingleses, italianos, jardins de ervas, franceses. Dava muito trabalho cuidar de todos os jardins. Mas valia a pena pela alegria. O verde das folhas, o colorido das flores, as variadas simetrias das plantas, os pássaros, as borboletas, os insetos, as fontes, as frutas, o perfume... Sozinho ele não daria conta. Por isso anunciou que precisava de jardineiros. Muitos se apresentaram e foram empregados.

Aconteceu que ele precisou de fazer uma longa viagem. Iria a uma terra longínqua comprar mais terras para plantar mais jardins. Assim, chamou três dos jardineiros que contratara, e disse-lhes: Vou viajar. Ficarei muito tempo longe. E quero que vocês cuidem de três dos meus jardins. Os outros, já providenciei quem cuide deles. A você, Paulo, eu entrego o cuidado do jardim japonês. Cuide bem das cerejeiras, veja que as carpas estejam sempre bem alimentadas... A você, Hermógenes, entrego o cuidado do jardim inglês, com toda a sua exuberância de flores espalhadas pelas rochas... E a você, Boanerges, entrego o cuidado do jardim mineiro, com romãs, hortelãs e jasmins.

Ditas essas palavras, partiu. Paulo ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim japonês. Hermógenes ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim inglês. Mas Boanerges não era jardineiro. Mentira ao oferecer-se para o emprego. Quando ele viu o jardim mineiro disse: Cuidar de jardins não é comigo. É demasiado trabalho...

Trancou então o jardim com um cadeado e abandonou-o. Passados muitos dias voltou o Senhor, ansioso por ver os seus jardins. Paulo, feliz, mostrou-lhe o jardim japonês, que estava muito mais bonito do que quando o recebera. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu. Hermógenes mostrou-lhe o jardim inglês, exuberante de flores e cores. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu.

E foi a vez de Boanerges... E não havia forma de enganar: Ah! Senhor! Preciso de confessar: não sou jardineiro. Os jardins dão-me medo. Tenho medo das plantas, dos espinhos, das lagartas, das aranhas. As minhas mãos são delicadas. Não são próprias para mexer na terra, essa coisa suja...

Mas o que me assusta mesmo é o fato das plantas estarem sempre a transformar-se: crescem, florescem, perdem as folhas. Cuidar delas é uma trabalheira sem fim.

Se estivesse em meu poder, todas as plantas e flores seriam de plástico. E a terra estaria coberta com cimento, pedras e cerâmica, para evitar a sujeira. As pedras dão-me tranquilidade. Elas não se mexem. Ficam onde são colocadas. Como é fácil lavá-las com esguichos e vassoura! Assim, eu não cuidei do jardim. Mas tranquei-o com um cadeado, para que os traficantes e os vagabundos não o invadissem.

E com estas palavras entregou ao Senhor dos Jardins a chave do cadeado. O Senhor dos Jardins ficou muito triste e disse: Este jardim está perdido. Deverá ser todo refeito. Paulo, Hermógenes: vocês vão ficar encarregados de cuidar deste jardim. Quem já tinha jardins ficará com mais jardins.

E, quanto a você, Boanerges, respeito o seu desejo. Não gosta de jardins. Vai ficar sem jardins. Gosta de pedras. Pois, de hoje em diante, irá partir pedras na minha pedreira...

 

Rubem Alves
Gaiolas ou Asas – A arte do voo ou a busca da alegria de aprender
Porto, Edições Asa, 2004
Fonte: https://contadoresdestorias.wordpress.com/2007/07/05/rubem/

domingo, 13 de julho de 2025

Glorificando o Santo Nome


 

O professor contou, em aula, que, no princípio da vida na Terra, quando os minerais, as plantas e os animais souberam que era necessário santificar o nome de Deus, houve da parte de quase todos um grande movimento de atenção.
Certas pedras começaram a produzir diamantes e outras revelaram ouro e gemas preciosas.
As árvores mais nobres começaram a dar frutos.
O algodoeiro inventou alvos fios para a vestimenta do homem.
A roseira cobriu-se de flores.
A grama, como não conseguia crescer, alastrou-se pelo chão, enfeitando a Terra.
A vaca passou a fornecer leite.
A galinha, para a alegria de todos, começou a oferecer ovos.
O carneiro iniciou a criação de lã.
A abelha passou a fazer mel.
E até o bicho-da-seda, que parece tão feio, para santificar o nome de Deus fabricou fios lindos, com os quais possuímos um dos mais valiosos tecidos que o mundo conhece.
Nesse ponto da lição, como o instrutor fizera uma pausa, Pedrinho perguntou:
- Professor, e que fazem os homens para isso?
O orientador da escola pensou um pouco respondeu:
- Nem todos os homens aprendem rapidamente as lições da vida, mas aqueles que procuram a verdade sabem que a nossa Inteligência deve glorificar a Eterna Sabedoria, cultivando o bem e fugindo ao mal. As pessoas que se consagram às tarefas da fraternidade, compreendendo os semelhantes e auxiliando a todos, são as almas acordadas para a luz e que louvam realmente o nome de nosso Pai Celeste.
E, concluindo, afirmou:
- O Senhor deseja a felicidade de todos e, por isso, todos aqueles que colaboram pelo bem-estar dos outros são os que santificam na Terra a sua Divina Bondade.
 
Meimei

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Milho de pipoca


 

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.
 
Rubem Alves - Extraído do livro: “O amor que acende a lua

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Do sacrifício


 

Um dos símbolos sagrados do cristianismo é a figura do pelicano. A explicação é simples: na total ausência de comida, o pelicano abre o seu peito com o bico e oferece a própria carne aos seus filhotes.
Entretanto, muitas vezes somos incapazes de entender as bênçãos que recebemos como presentes de Deus. Muitas vezes não percebemos o que Ele faz para nos manter espiritualmente alimentados.
Uma velha história nos fala de um pelicano que – durante um inverno rigoroso – consegue sobreviver ao seu autossacrifício por alguns dias, oferecendo a sua própria carne aos filhos.
Quando, finalmente, morre de fraqueza, um dos filhotes comenta com o outro: “ainda bem. Eu já estava farto de comer todos os dias a mesma coisa”.
 
Paulo Coelho
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É isto que somos às vezes, ingratos perante aqueles que são capazes dos maiores gestos de altruísmo em nome do amor. Por vezes estamos tão cegos, que não somos capazes de agradecer tudo o que de bom a vida nos dá. Neste momento é isto que tento fazer, ver tudo o que tenho de bom na minha vida, centrar todos os meus pensamentos naquilo que tenho e não naquilo que não tenho. Só assim consigo ir mais além.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Parábola da xícara de café


 

Dizem que há uma mensagem de sabedoria rabínica que conta a seguinte história:
 
Você está segurando uma xícara de café quando alguém chega e encosta ou balança seu braço, fazendo com que derrame o café por todo lado.
Por que você derramou o café? “Bem, porque alguém encostou em mim, é claro!” Resposta errada.
Você derramou o café porque o café estava na xícara. Se dentro houvesse chá, você teria derramado chá. O que quer que esteja dentro da xícara é o que será derramado.
Portanto, quando a vida chega e balança você (algo que com certeza irá acontecer), seja o que for que esteja dentro de você irá sair. É fácil fingir até que você seja chacoalhado.
Então temos de perguntar a nós mesmos...
o que há dentro da minha xícara?
Quando a vida fica difícil, o que derrama?
Alegria, gratidão, paz e humildade?
Ou fúria, amargura, palavras e ações duras?
Você escolhe!

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Sapo

 


Se você pegar um sapo, colocá-lo em uma panela com água e levar para o fogo, você observará algo interessante: o sapo se adapta à temperatura da água, permanece dentro e continua se adaptando ao aumento da temperatura. Mas quando a água chega ao ponto de ebulição, o sapo que gostaria de pular da panela, não pode. Porque ele está muito fraco e cansado devido aos esforços que fez para se adaptar à temperatura.
Alguns diriam que o que matou o sapo foi a água fervendo. Na verdade, o que matou o sapo foi a sua incapacidade de decidir QUANDO saltar.
 
Então pare de se “adaptar” a situações erradas, relacionamentos abusivos, amigos parasitas e muitas outras coisas que te “aquecem”. Se você continuar se adaptando, você corre o risco de “morrer” por dentro. Salte assim que puder!
 
Autor: Peter Senge

sábado, 7 de setembro de 2024

O ferrão de abelha e a maldade

 


As abelhas têm ferrão farpado, como ponta de flecha. Quando picam, o ferrão entra na pele e não sai, porque as farpas o seguram lá dentro. Ao tentarem sair dali voando, a bolsa de veneno e parte do intestino são arrancados. Elas morrem pouco depois devido a essa mutilação. O ataque pode até prejudicar um pouco a sua vítima, mas lhe custa a vida.

Com o ser humano acontece algo parecido: quem vive a todo momento tentando atacar as pessoas por meio de fofocas, intrigas, destilando ódio, vomitando rancor e mágoa... pode até incomodar momentaneamente sua "vítima", mas sempre acaba vítima de sua própria maldade.

Observe se realmente há felicidade em quem vive assim.


sábado, 13 de julho de 2024

A parábola do bom samaritano

 


25 Levantou-se um doutor da Lei e, para pô-lo à prova, perguntou: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?”. 26 Disse-lhe Jesus: “Que está escrito na Lei? Como é que lês?”. 27 Respondeu ele: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). 28 Falou-lhe Jesus: “Respondeste bem; faze isto e viverás”. 29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?” * 30 Jesus então contou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto. 31 Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante. 32 Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante. 33 Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão. 34 Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele. 35 No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to pagarei. 36 Qual desses três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?”. 37 Respondeu o doutor: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então, Jesus lhe disse: “Vai, e faze tu o mesmo”.

Lucas 10, 25-37


quinta-feira, 13 de junho de 2024

Deus

 


No ventre de uma mãe havia dois bebês. Um perguntou ao outro:
- Você acredita na vida após o parto? O outro respondeu:
- Claro que sim. Deve haver algo depois do nascimento. Talvez estejamos aqui para nos preparar para o que virá depois.
- Que estupidez! diz o primeiro. Não há vida após o parto. Que tipo de vida seria essa? O segundo diz:
- Não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez possamos andar com nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez tenhamos outros sentidos, que não podemos entender agora. O primeiro respondeu:
- Isso é um absurdo. Andar é impossível. E comer com a sua boca? Ridículo! O cordão umbilical nutre-nos e dá-nos tudo o que precisamos. O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto é impossível. O segundo insistiu:
- Bem, acho que há algo e talvez seja diferente do que está aqui. Talvez não precisemos mais deste tubo físico. O primeiro respondeu:
- Além disso, para ter realmente vida após o parto, então por que ninguém nunca voltou de lá? O parto é o fim da vida e no pós-parto não há nada além do escuro, do silêncio e do esquecimento. Ele não nos levará a nenhum lugar.
- Bem, eu não sei – disse o segundo –, mas certamente vamos nos encontrar com a mãe e ela cuidará de nós. O primeiro respondeu:
- A mãe? Você realmente acredita na mãe? Isso é ridículo. Se a mãe existe, então onde está ela agora? O segundo diz:
- Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Somos dela. É nela que vivemos. Sem ela, este mundo não seria nada e não poderia existir. O primeiro diz:
- Bem, eu não posso vê-la, então, como é lógico, ela não existe. O segundo responde:
- Às vezes, quando você está em silêncio, se se concentrar e realmente ouvir, você será capaz de perceber a sua presença e ouvir a sua voz amorosa lá em cima.
 
Foi assim que um escritor húngaro explicou a existência de Deus.
Em tempos difíceis (e em todos os tempos), possamos praticar o silêncio, nos concentrarmos e sentirmos a presença de Deus, constante, em nossas vidas.

domingo, 31 de março de 2024

A fábula das três árvores

 


Havia, no alto de uma montanha, três pequenas árvores que sonhavam o que seriam depois de grandes.
A primeira, olhando as estrelas, disse: “Eu quero ser cortada e que minhas tábuas se transformem no baú mais precioso do mundo, cheio de riquezas e tesouros".
A segunda olhou para um riacho que passava por ali e suspirou: “Eu quero ser transformada num navio para transportar reis e rainhas”.
A terceira árvore olhou para o grande vale que estava diante dela e disse: “Quero ficar em destaque no alto de uma montanha, de tal forma que as pessoas ao olharem pra mim, levantem seus olhos e pensem em Deus”.
Muitos anos se passaram e certo dia vieram lenhadores que cortaram as três árvores. Todas estavam ansiosas em serem transformadas naquilo que sonhavam. Mas, lenhadores não costumam ouvir e nem entender sonhos!... Que pena!
A primeira árvore acabou sendo transformada num coxo de animais, coberto de feno.
A segunda virou um simples e pequeno barco de pesca, carregando rudes pescadores todos os dias.
E a terceira, que sonhava ficar em destaque no alto de uma montanha, acabou sendo cortada em grossas vigas e colocada de lado num depósito.
E todas as três se perguntavam desiludidas e tristes: "Para que isso?"
Mas, numa certa noite, cheia de luz e estrelas, onde havia mil melodias no ar, uma jovem mulher colocou seu bebê recém-nascido naquele coxo de animais.
E, de repente, a primeira árvore percebeu que continha o maior e mais valioso tesouro do mundo (Lc 2:7).
A segunda árvore, anos mais tarde, transportou um homem que acabou dormindo no barquinho, mas quando uma terrível tempestade veio sobre o mar e estava a afundar o pequeno barco, o homem se levantou e com autoridade ordenou ao vento e ao mar: “Aquieta-te!”, e surpreendentemente fez-se grande bonança. E a segunda árvore entendeu que estava carregando o maior e mais poderoso Rei dos Céus e da Terra (Lc 8,22-25).
Tempos mais tarde, a terceira árvore espantou-se quando foi retirada do depósito e suas vigas foram unidas em forma de cruz, e um humilde nazareno foi pregado nela. Ela sentiu-se horrível e cruel, mas, no terceiro dia, o que fora crucificado nela, ressuscitou dentre os mortos, e a terceira árvore entendeu que nela havia sido pregado o Redentor da humanidade, e todos os que para ela olhassem se lembrariam daquele glorioso Salvador do mundo (Lc 23:33 e 24:1-9).
 
MORAL DA HISTÓRIA:
É interessante pensar que cada uma das árvores teve o que desejava, mas não da forma que sonhavam, suas realizações foram mil vezes melhores e mais sábias do que haviam imaginado.
Nós também, à semelhança das três árvores, não sabemos dos planos que Deus tem reservado para nós. Temos os nossos sonhos e nossos planos que, por vezes, não coincidem com os planos que Deus tem para nós; e, quase sempre, somos surpreendidos com a sua generosidade e misericórdia.
Quando as coisas não parecem estar acontecendo da maneira que gostamos ou esperamos, precisamos ter em mente que Deus tem planos maiores para a nossa vida. Nem sempre os caminhos traçados por Deus para nós são aqueles que nós almejamos, mas podemos ter certeza de que eles são os melhores! É importante compreendermos que tudo vem de Deus e crermos que podemos esperar Nele, pois Ele sabe muito bem o que é melhor para cada um de nós.
 
Que nesta Páscoa, não seja apenas uma lembrança do passado, mas um verdadeiro nascimento de Jesus em seu coração, que Ele possa nascer em cada dia do ano, a cada ato, cada oração e que se instale no seu coração para sempre.
Uma feliz e verdadeira Páscoa e muitas felicidades.

(D.a.)

segunda-feira, 4 de março de 2024

Algumas gotas

 


Num quarto modesto, o doente grave pedia silêncio. Mas a velha porta rangia nas dobradiças cada vez que alguém a abria ou fechava. O momento solicitava quietude, mas não era oportuno para a reparação adequada. Com a passagem do médico, a porta rangia, nas idas e vindas do enfermeiro, no trânsito dos familiares e amigos, eis a porta a chiar, estridente. Aquela circunstância trazia ao enfermo e a todos que lhe prestavam assistência e carinho, verdadeira guerra de nervos. Contudo, depois de várias horas de incômodo, chegou um vizinho e colocou algumas gotas de óleo lubrificante na antiga engrenagem e a porta silenciou, tranquila e obediente.
 
A lição é singela, mas muito expressiva. Em muitas ocasiões há tumulto dentro de nossos lares, no ambiente de trabalho, numa reunião qualquer. São as dobradiças das relações fazendo barulho inconveniente. São problemas complexos, conflitos, inquietações, abalos... Entretanto, na maioria dos casos nós podemos apresentar a cooperação definitiva para a extinção das discórdias. Basta que nos lembremos do recurso infalível de algumas gotas de compreensão e a situação muda.
- Gotas de perdão acabam de imediato com o chiado das discussões mais calorosas.
- Gotas de paciência, no momento oportuno, podem evitar grandes dissabores.
- Poucas gotas de carinho penetram as barreiras mais sólidas e produzem efeitos duradouros e salutares.
- Algumas gotas de solidariedade e fraternidade podem conter uma guerra de muitos anos.
- É com algumas gotas de amor que as mães dedicadas abrem as portas mais emperradas dos corações confiados à sua guarda.
- São as gotas de puro afeto que penetram e dulcificam as almas ressecadas de esposas e esposos, ajudando na manutenção da convivência duradoura.
- Nas relações de amizade, por vezes, algumas gotas de afeição são suficientes para lubrificar as engrenagens e evitar os ruídos estridentes da discórdia e da intolerância.
 
Dessa forma, quando você perceber que as dobradiças das relações estão fazendo barulho inconveniente, não espere que o vizinho venha solucionar o problema. Lembre-se que você poderá silenciar qualquer discórdia lançando mão do óleo lubrificante do amor, útil em qualquer circunstância, e sem contraindicação. Não é preciso grandes virtudes para lograr êxito nessa empreitada. Basta agir com sabedoria e bom senso. Às vezes, são necessárias apenas algumas gotas de silêncio para conter o ruído desagradável de uma discussão infeliz. E se você é daqueles que pensam que os pequenos gestos nada significam, lembre-se de que as grandes montanhas são constituídas de pequenos grãos de areia. Pense nisso!
 
(Desconheço a autoria)

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

O dilema do canalizador

 


Era uma vez um estudante que queria perceber o mistério da água. Certo dia, resolveu visitar um sábio. Encontrou-o a contemplar demoradamente um copo de água.
- Mestre, a não ser que tenha um problema no pescoço, porque olha fixamente para esse copo de água?
- Porque recebi há dias um jovem como tu que me disse: “Não preciso de ir à Índia para saber como é o Taj Mahal. É-me suficiente olhar para um pedaço de mármore. O Taj Mahal não é mais do que um aglomerado de pedras como essa..”
- Portanto, se entendi bem o raciocínio desse jovem, seria suficiente eu olhar para um copo de água para dizer que já vi todas as bacias hidrográficas do mundo... - Seria... Mas não concordas que é um pensamento insensato? Faz-me lembrar outro jovem que acabava de se formar como canalizador e, como passeio de final de curso, foi visitar as cataratas do Niágara. E, depois de examinar o lugar durante um minuto, disse: “Creio que posso consertar isso.”
 
Padre jesuíta indiano Anthony de Mello

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

A Verdade e a Mentira

 


Segundo uma lenda do século XIX, a Verdade e a Mentira se encontram um dia.
A Mentira diz à Verdade: “Hoje é um dia maravilhoso!” A Verdade olha para os céus e suspira, pois o dia era realmente lindo. Elas passaram muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço.
A mentira diz à verdade: “A água está muito boa, vamos tomar um banho juntas!” A verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que realmente está muito gostosa. Elas se despiram e começaram a tomar banho. De repente, a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge.
A Verdade, furiosa, sai do poço e corre para encontrar a Mentira e pegar suas roupas de volta.
O mundo, vendo a verdade nua, desvia o olhar, com desprezo e raiva.
A pobre Verdade volta ao poço e desaparece para sempre sob sua vergonha.
Desde então, a Mentira viaja ao redor do mundo, vestida como a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque, em todo caso, o Mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a Verdade nua.
 
Fonte: https://infonet.com.br/blogs/a-mentira-viaja-ao-redor-do-mundo-vestida-como-a-verdade/
Quadro: "A verdade saindo do poço" Jean-Leon Gérôme, 1896.

sábado, 14 de janeiro de 2023

A parábola da rosa

 


Um homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente.
Antes que ela desabrochasse, ele a examinou e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou: “Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?”
Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa antes mesmo de estar pronta para desabrochar, e ela morreu.
Assim é com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa: São as qualidades dadas por Deus. Dentro de cada alma temos também os espinhos: São as nossas faltas.
Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos.
Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior.
Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós, e consequentemente, isso morre. Nunca percebemos o nosso potencial.
Algumas pessoas não veem a rosa dentro delas mesmas. Portanto alguém mais deve mostrar a elas.
Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. Esta é a característica do amor.
Olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas. Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições. Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.
Portanto sorriam e descubram as rosas que existem dentro de cada um de vocês e das pessoas que amam...

Retirado do livro: “Sabedoria em Parábolas”. Prof. Felipe Aquino (org.). Ed. Cléofas.
https://cleofas.com.br/a-parabola-da-rosa/