Na mão de Deus,
na sua mão direita,
descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da ilusão
desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores
mortais, com que se enfeita
a ignorância infantil, despojo vão,
depus do ideal e da paixão
a forma transitória e imperfeita.
Como criança em
lôbrega jornada,
que a mãe leva no colo agasalhada
e atravessa, sorrindo vagamente,
selvas, mares,
areias do deserto,
– dorme teu sono, coração liberto,
dorme na mão de Deus eternamente!
Antero de
Quental (1842-1891)
Fonte: O
poder da oração: rezar com o Espírito Santo / Carlos Eduardo Catalfo -
Aparecida, SP: Editora Santuário, 1999.
descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da ilusão
desci a passo e passo a escada estreita.
a ignorância infantil, despojo vão,
depus do ideal e da paixão
a forma transitória e imperfeita.
que a mãe leva no colo agasalhada
e atravessa, sorrindo vagamente,
– dorme teu sono, coração liberto,
dorme na mão de Deus eternamente!
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