Oração de
Natal de um órfão de guerra
Orlando Cavalcanti
Papai Noel,
você que não se atrasa
Na visita anual que faz à Terra,
Veja se faz voltar à minha casa
O meu papai que foi brigar na guerra.
Você que pode
muito mais que a gente
E que tem uma força sem igual,
Bem que podia dar-me este presente
Na noite milagrosa do Natal.
Eu tenho um
coração como uma brasa
Nesta hora triste em que rezar eu venho.
Todos têm o seu papai em casa,
Só eu, Papai Noel, é que não tenho.
Ele partiu numa
noite estranha
Que da lembrança nunca mais me sai;
Disse que ia brigar lá na Alemanha
E desde então não vejo mais papai.
Ele escrevia
sempre. Mamãe lia
Suas cartas baixinho, devagar...
“Eu voltarei em breve”, ele dizia
Que esta guerra está prestes a acabar.
Depois,
passaram meses, muitos dias,
Notícia alguma de papai nos veio
E mamãe, na maior das agonias,
Esperava a passagem do correio.
Nada vinha. O
silêncio era completo
E a razão até hoje eu não sei bem.
Mamãe passou a se vestir de preto
E nunca mais sorriu para ninguém.
Até que enfim
com a última batalha
– Só de pensar o coração me dói –
O correio nos trouxe uma medalha
Com as cinco letras da palavra “HEROI”.
Por que será,
Papai Noel? Me arrasa
Essa coisa que a alma me corrói
Se os tais heróis não voltam para casa
Será que vale a pena ser herói?
Papai Noel, meu
santo e bom paizinho,
Me dê o presente e acabe com a revolta,
Eu sei que você vai dar um jeitinho
E me mandar o meu papai de volta.
E dormiu
abraçado a um retrato,
Sonhando sonhos de venturas mil,
E encontrou de manhã no seu sapato
Uma enorme bandeira do BRASIL!
[imagem bandeira: Henfil
- na última estrela o cadente sonho]
Orlando Cavalcanti
Na visita anual que faz à Terra,
Veja se faz voltar à minha casa
O meu papai que foi brigar na guerra.
E que tem uma força sem igual,
Bem que podia dar-me este presente
Na noite milagrosa do Natal.
Nesta hora triste em que rezar eu venho.
Todos têm o seu papai em casa,
Só eu, Papai Noel, é que não tenho.
Que da lembrança nunca mais me sai;
Disse que ia brigar lá na Alemanha
E desde então não vejo mais papai.
Suas cartas baixinho, devagar...
“Eu voltarei em breve”, ele dizia
Que esta guerra está prestes a acabar.
Notícia alguma de papai nos veio
E mamãe, na maior das agonias,
Esperava a passagem do correio.
E a razão até hoje eu não sei bem.
Mamãe passou a se vestir de preto
E nunca mais sorriu para ninguém.
– Só de pensar o coração me dói –
O correio nos trouxe uma medalha
Com as cinco letras da palavra “HEROI”.
Essa coisa que a alma me corrói
Se os tais heróis não voltam para casa
Será que vale a pena ser herói?
Me dê o presente e acabe com a revolta,
Eu sei que você vai dar um jeitinho
E me mandar o meu papai de volta.
Sonhando sonhos de venturas mil,
E encontrou de manhã no seu sapato
Uma enorme bandeira do BRASIL!
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