
Já parou para
pensar que dificilmente uma pessoa te abraça? Há quem se contenta com um “tudo
bem?”, outros com um “oi” e não passa disso. Já pensou se, com todas as pessoas
que encontrássemos, tivéssemos a bondade de cumprimentá-la com um abraço ou, se
preferir, um “amasso”?
No contexto
bíblico, o abraço significa misericórdia. Vale recordar aqui o abraço do
Pai no filho pródigo. As mazelas, as decepções, os pecados, a arrogância, a
precariedade, a soberba, se dissolveram no abraço do Pai misericordioso.
Não tenho
dúvida de que aquele sujeito sem nome (pode ser eu ou você) que pegou a parte
da herança e partiu para o mundo, contemplou a verdade interpretada por Martha
Medeiros: “Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve”.
O abraço esmagante do Pai devolveu àquele filho desgraçado o dom da vida, da
eternidade.
O abraço,
segundo alguns especialistas, faz bem para a saúde psíquica e física. Ele tem o
poder de aumentar os níveis de uma substância chamada oxitocina, que tem a
particularidade de reduzir os estados de stress e ansiedade, aumentando a
felicidade e o bem-estar das pessoas. [...]
Mário Quintana faz
questão de aludir o abraço a um laço. Diz ele: “Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o
laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço”.
Penso que, nos tempos
hodiernos, nossos casais precisam se abraçar. “Precisam encostar um coração
no outro” (Rita Apoena). Já imaginou acalmar os corações atribulados por
uma discussão, encostando um coração no outro? Corações atribulados se entendem
e se acalmam no compasso da vida, que se renova dento de um abraço. [...]
O poeta
português Fernando Pessoa já dizia: “quem sente muito, cala; quem quer dizer
quanto sente, fica sem alma nem fala, fica só, inteiramente”! Já Drummond se
atreve dizer que “se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor
foge de todas as explicações possíveis”.
Traduzindo: amar
não é teoria, é sentir. Abraçar é amar. Abraçar é discursar sem palavras. Abraçar
é poder entrar no outro sem pisar no seu terreno. Abraçar é ser mais gente. Abraçar
é uma forma de teologar... pois até Deus quis morar no abraço!
Vinícius
Figueira e Fernanda Venturim Vantil
[Excertos do
artigo “A Teologia do abraço”, publicado no site A12]