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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Festa no interior


            - É Natal! – me disseram. – É a Festa Maior! Vamos comemorar o nascimento de Jesus!
            - Onde? Onde? Também quero ir. Como faço?
            (...)
            Passam todos. Passa o tempo.
            Sou ponte ainda. E o sou na razão de possibilitar ao outro a passagem, a mudança de lugar, de estado, de servir de meio para conduzir o outro a um lugar melhor. (Submissão? A troco de quê? – me pergunto e não encontro resposta.)
            Passa o tempo. Passam todos. Drummond diria “Todos passarão e eu, passarinho...”.
            E só depois de me pensar tanto tempo como ponte, descubro que é preciso eu ir sozinha, pois esta é uma festa no interior, no meu interior.
            (...)
            Dentro de mim, minha “casa” precisa, primeiro, estar limpinha. Começo, então, a faxina. – “Quão difícil, meu Deus, retirar aquela sujeira toda, que parece impregnada... São mágoas, sentimentos impuros, lágrimas cristalizadas por dores não choradas...”
            Aos poucos, vou limpando a casa e posso, enfim, preparar minha árvore de Natal, o presépio para receber o menino Jesus e decidir sobre os presentes.
            - Mas Deus já habita em cada um de nós através da ação do Espírito Santo! – voltaram a me dizer.
            “Meu Pai! E eu que não cuidei de limpar a casa todos os dias?! E se houver algum escorpião? O menino Jesus corre perigo!” – Volto pra dentro de mim. Olho cada cantinho para me certificar de que já esteja tudo limpinho e em ordem.
            Adormeço.
            E nos sonhos, os sinais de Deus: o piscar de luzes, o repicar de sinos, Seu Filho que me acena sorrindo, a fome saciada, a alma em êxtase, um cântico de louvor... escuto ao longe alguém a pedir, tento ouvir, mas... acordo.
            Uma sensação de paz me invade... a impressão de ter vivido a melhor festa de Natal de minha vida.


Sandra Medina Costa

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